Um grito por elas é apresentado em debate sobre política de segurança no CCSA

Um Grito por Elas  /   /  Por Equipe GEM

Em continuação a rodada de palestras sobre violência contra a mulher em todos os Centros e campi da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o projeto Um grito por elas foi apresentado no Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), nesta quarta-feira (28).

A palestra foi organizada pelo Coletivo Representativo dos Docentes em Luta da UFPB e teve como tema “Política de segurança na UFPB”. Tratou-se de um debate preparatório no qual serão encaminhadas sugestões de melhoria da segurança para a Audiência Pública, organizada pela vice-reitora, Bernardina Oliveira, que acontecerá na próxima terça-feira (4).

A mesa foi composta pelo professor de psicologia, Daniel Curvo, pela coordenadora do projeto Um grito por elas, Margarete Almeida, pela professora de Direito, Tatyane Oliveira, pelo Sargento Pereira da Polícia Militar e pela representante do Ministério Público, Carla Daniela Leite.

Entre as falas, o ponto principal do debate foi pensar as políticas de segurança pública na UFPB dando atenção aos grupos mais atingidos pelas violências, como mulheres cis e trans, negros, pobres e população LGBT.

A professora Margarete Almeida, coordenadora do projeto Um grito por elas, apresentou dados do Instituto Avon sobre violências contra as mulheres em ambientes universitários e dados parciais do projeto. Em sua fala, enfatizou a necessidade do acolhimento das vítimas. “O projeto pretende fazer um mapa da violência contra as mulheres na UFPB, mas é necessário que a Universidade encare isso como um problema institucional e promova formações continuadas dos seguranças da UFPB, porque a violência não vem só de pessoas de fora ou de estudantes. Os professores, os técnicos-administrativos e os seguranças reproduzem a violência simbólica que é produto dessa cultura patriarcal”, enfatizou a professora.

O sargento Pereira atentou para o fato de que as políticas punitivas atuais são falhas. “O Estado tem poder, mas não tem o direito de decidir a vida das pessoas porque esse modelo de punição e perseguição aos grupos ditos minoritários só geraram mais violência”, afirmou o sargento.

Além disso, o sargento sugeriu um grande fórum com as seguintes câmaras temáticas: orgânica, mobilidade e segurança pública, drogas, comunidades. A partir dessas câmaras seria pensado um Plano Acadêmico de segurança para a UFPB.

A professora do Departamento de Ciências Jurídicas, Tatyane Oliveira, defendeu dois aspectos que podem diminuir a violência na Universidade: prevenção e proteção. “Precisamos utilizar o ato de denunciar como estratégia política, as pessoas precisam publicizar os atos de violência para que eles comecem a ser ouvidos e para isso é necessária uma ouvidoria que funcione efetivamente”, disse durante o debate.

A representante do Ministério Público Estadual, Carla Daniele Leite, disse que está acompanhando essas questões desde o último grande protesto contra a falta de política assistencial e de segurança da UFPB, a greve de fome. “Reafirmo que o Ministério Público está acompanhando e qualquer novo episódio vocês precisam nos informar para que nós tomemos as devidas providências. Um ponto que firmamos com a Universidade e que não está sendo cumprido é a utilização de crachás dos guardas, essa é uma questão básica que estamos correndo atrás para garantir a identificação de guardas que abusam do poder”, disse.

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