Por que a representatividade trans é importante?

Observatório da Mídia  /   /  Por Equipe GEM

Tempos atrás homens se vestiam de mulher para interpretar papeis femininos, uma vez que, no espírito daquele tempo, mulheres não podiam subir aos palcos para atuar. O mesmo aconteceu com os negros. Dada a inferioridade de sua raça naquela sociedade que defendia a supremacia branca, somente através do “blackface” (atores brancos pintando a pele de preto) os negros se veriam representados.

Na contemporaneidade, os movimentos em defesa dos direitos trans têm lutado para que personagens travestis e transexuais sejam interpretados por travestis e transexuais. Parece uma questão menor, como certamente já foi pensada a representatividade das mulheres cis e dos negros. Entretanto, num país onde 90% da população trans está na prostituição porque não encontra outro meio de sobrevivência (dados da ANTRA), porque seus corpos são espaços da abjeção social, marginalizadas e resumidas à máquinas do gozo às escuras, é preciso fazer com que essa população seja vista para além das calçadas e sombras.

Óbvio que clipes como o lançado por Barbara Ohana, com Cauã Reymond no papel de uma travesti com sede de vingança, ou o filme Garota Dinamarquesa, com Eddie Redmayne no papel de Lili Elbe, primeira pessoa a se submeter a cirurgia de redesignação sexual, levantam o debate sobre a questão trans. E a discussão por si já é muito importante. Mas o momento é de luta por visibilidade.

Ninguém voltará mais aos armários que foram obrigadas a habitar no decorrer de suas vidas. Personagens trans como Sophia Burset, de Orange Is the New Black, interpretada pela atriz trans Laverne Cox, ou Nomi Marks, de Sense8, interpretada por Jamie Clayton, são mais que representações: são performances políticas. E somente através dos embates poderemos em alguns anos refletir sobre o quanto absurdo era uma pessoa trans não ter direito a interpretar a si nas produções midiáticas.

Confira o vídeo: https://goo.gl/8jtqLA

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