Mulheres já fazem história nos Jogos Olímpicos 2016

Observatório da Mídia  /   /  Por Equipe GEM

Em 1896, Atenas se tornava o palco da primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Também há 120 anos as mulheres eram descartadas das provas olímpicas. Apenas na edição seguinte, em 1900, é que o cenário começou a ser tomado por elas, ainda com certas limitações. Aos poucos, as mulheres foram invadindo pistas, quadras, ringues, até chegar em Londres, em 2012, e finalmente conseguir competir em todas as modalidade olímpicas.

Fonte: Rio 201

Fonte: Rio 201

O caminho foi longo, mas aos poucos as mulheres foram conseguindo o seu espaço. Em 1900, de saias e meias, elas começaram a competir nos Jogos Olímpicos pelo tênis, golfe e croquet. Em 1904 entraram no tiro com arco e em 1912 e 1924, na natação e na esgrima, respectivamente. Apenas na sétima edição é que os Jogos viram garotas competindo em algumas provas de atletismo e da ginástica. A canoagem entrou em 1948, seguida do hipismo em 1952.

O ano de 1964 foi de glória para as mulheres do voleibol. Finalmente conseguiram conquistar as quadras, expandindo essa vitória também para o handebol, em Montreal, no ano de 1976. Foi então que elas conquistaram o direito de fazer gols com as mãos. No mesmo ano, a modalidade feminina começou a fazer parte também do basquete e do remo e em 1984 foi a vez do ciclismo e do tiro esportivo.

Em 1988 as mulheres chegaram ao tênis de mesa, ao tênis e na vela. Na edição seguinte, conquistaram o badminton e o judô. E depois de mais de duas décadas, em 1996, foi o momento de chutar a bola ao gol: as mulheres conquistaram também os campos de futebol. A partir daí não pararam mais. Em 2000 foi a vez do levantamento de peso, pentatlo moderno, taekwondô e triatlo. Na edição de 2004 veio a luta olímpica e, finalizando todos os esportes, elas conseguiram competir em todas as modalidades quando derrubaram a última barreira em 2012: o boxe.

Importante lembrar ainda de um momento emocionante para a história dos Jogos Olímpicos no Brasil. Em 1996, a modalidade do vôlei de praia foi incluída no calendário olímpico, com participação imediata das mulheres. A competição em Atlanta foi especial para as mulheres, afinal, com a inclusão do vôlei de praia, as atletas do Brasil participaram com garra à caça de pódios. Duas duplas brasileiras pisaram nas areias para disputar a final. Quando a disputa se encerrou, a vitória por 2 a 0, com parciais de 12/11 e 12/6, deu o ouro a Jacqueline Silva e Sandra Pires. A prata ficou com Mônica Rodrigues e Adriana Samuel. Jacqueline e Sandra se tornaram as primeiras campeãs olímpicas da história do Brasil.

Jacqueline Silva e Sandra Pires conquistam o primeiro ouro para as mulheres nos Jogos Olímpicos, pelo vôlei de praia.

Jacqueline Silva e Sandra Pires conquistam o primeiro ouro para as mulheres nos Jogos Olímpicos, pelo vôlei de praia. (Foto: Getty Images/Doug Pensinger)

EDIÇÃO 2016 É DELAS

Hoje os Jogos Olímpicos se iniciam oficialmente e, nessa edição, dois novos esportes foram incluídos na programação, são eles o golfe e o rugby. A boa notícia é que as mulheres também estão inseridas nesses dois esportes. Além disso, o número de atletas inscritas chega perto da metade do total de competidores, elas representam 47% dos atletas olímpicos, de acordo com o Comitê Olímpico Internacional.

A redução lenta, porém gradativa, da participação das mulheres nos esportes olímpicos resultam do preconceito e da falta de investimento das modalidades femininas. Além disso, as mulheres são pouco estimuladas a competir. Para se ter uma noção do que digo, basta analisar pela perspectiva do vôlei de quadra. Na última semana de julho, uma das imagens mais viralizadas na internet trouxe uma comparação entre as fotos de Marko Ivović, jogador de vôlei da seleção masculina da Sérvia, atual campeã da Liga Mundial, e Natália Pereira, da seleção feminina brasileira, campeã do Grand Prix. Ambos jogaram o mesmo número de partidas e foram eleitos os melhores atletas em suas respectivas competições. A diferença estava na premiação em dinheiro: enquanto Natália embolsou US$ 15 mil, Marko recebeu o dobro, US$ 30 mil.

O fato agora é que em 2016 estamos em grande número e já começamos a fazer história. Em âmbito nacional, Pernambuco é um dos estados com maior quantidade de mulheres em sua delegação, em relação aos homens. Serão 15 atletas do estado nordestino, e desse total, 13 são mulheres. É um recorde para a história de Pernambuco, mas é também um grande passo para história das mulheres.

Pernambuco também contribuiu ainda mais para a nossa marca nos Jogos Olímpicos. A primeira medalhista do estado em modalidades individuais, Yane Marques, será também a segunda mulher a carregar a bandeira do Brasil durante a abertura dos Jogos, escolhida com 49% dos votos dos brasileiros. A primeira a ser porta-bandeira da delegação brasileira foi Sandra Pires, do vôlei de praia, em 2000, em Sidney.

Yane Marques, atleta do pentatlo moderno, será a segunda mulher porta-bandeira da delegação brasileira nos Jogos Olímpicos.

Yane Marques, atleta do pentatlo moderno, será a segunda mulher porta-bandeira da delegação brasileira nos Jogos Olímpicos. (Foto: Reuters)

O FUTEBOL TAMBÉM É NOSSO

A Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos acontece nesta sexta-feira (5), às 20h, mas as seleções feminina e masculina de futebol já entraram em campo para defender a medalha olímpica. Na quarta-feira (3), as mulheres entraram em campo contra a China numa atuação brilhante e agressiva, em busca da primeira medalha de ouro para a equipe. As meninas estufaram a rede três vezes e levaram uma vitória de 3 a 0 para a tabela de classificação.

No nosso time, temos mulheres que marcaram a história também do futebol e ainda assim são pouco recordadas por isso. Marta, por exemplo, foi eleita melhor jogadora do mundo por cinco vezes seguidas. Além disso, ela atingiu a faixa de 98 gols com a camisa amarela e superou ninguém menos que Pelé, que marcava 95 gols na sua carreira grandiosa com os pés.

Temos também Cristiane, que ao lado de Marta faz maestria com a bola. Cristiane atingiu a artilharia isolada no futebol feminino dos Jogos Olímpicos. Ela compartilha do talento com Formiga, que vai chegando aos 40 anos de idade com seis Jogos Olímpicos no histórico.

No entanto, as atenções foram inteiramente voltadas para a quinta-feira (4), quando os meninos da seleção olímpica de futebol entraram em campo. Neymar, Gabigol, Gabriel Jesus. Os grandes do futebol masculino ficaram no 0 a 0 contra a África do Sul e deixaram ainda mais evidente a falta de atenção que é dada às mulheres que fazem graça com a bola nos pés.

Essas mulheres de tantos gols e conquistas não buscam apenas a medalha dourada. A luta em campo é por reconhecimento, crescimento da modalidade em todo o país e, principalmente, igualdade de gênero dentro e fora dos gramados. Tudo isso fica claro quando as duas seleções entram em campo. Que comecem os Jogos, que comece a mudança.

Marta, Formiga e Cristiane buscam fazer história para o futebol feminino e para igualdade de gênero. (Foto: AFP)

Marta, Formiga e Cristiane buscam fazer história para o futebol feminino e para igualdade de gênero. (Foto: AFP)

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