Habemus desejo

Observatório da Mídia  /   /  Por Equipe GEM

A Globo exibiu na noite de ontem a primeira cena de sexo entre dois homens da TV aberta brasileira. É óbvio que houve ali a reprodução de certos estereótipos, como a figura do macho dominador e do efeminado passivo, mas não podemos deixar de reconhecer o importante passo que foi dado na teledramaturgia brasileira, sobretudo quando pensamos na onda de extremo conservadorismo em todo o mundo. Por muitos anos os homossexuais não tiveram pele e desejo nas telenovelas.

Em “América” (2005), Júnior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro) chegaram a gravar a cena do beijo, retirada do ar pelas reivindicações conservadoras. Em “Mulheres Apaixonadas” (2003) e “Senhora do Destino” (2004) foram apresentados relacionamentos lésbicos onde as personagens trocavam carícias, mas nada além do pegar de mãos e rápidas bitocas.

Em “Ti-Ti-Ti” (2010), Julinho (André Arteche) era um cabeleireiro que namorava Osmar (Gustavo Leão), que morre logo no início da trama, numa relação que mais parecia amizade/irmandade que namoro. Apesar de “Amor e Revolução”, do SBT, ter sido a primeira a exibir a cena de beijo gay, com as personagens Marina (Giselle Tigre) e Marcela (Luciana Vendramini), somente depois do beijo de Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso), em “Amor à Vida” (2014), o afeto gay pode ser visto em maior escala.

Depois tivemos o casamento entre pessoas do mesmo gênero, com Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller), na novela “Em Família” (2014), e Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg), em “Babilônia” (2015). Mas foi em “Liberdade, Liberdade” (2016) que pela primeira vez os corpos puderam se experimentar, onde o olhar, o suor, as carícias, o toque misturavam-se num mesmo plano para reverberar a pele e o desejo na sua multiplicidade.

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